quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Solon canta Noel Rosa


Músico pelotense lança show e CD em homenagem ao poeta da Vila

    Noel de Medeiros Rosa nasceu no Rio de Janeiro. Em 1910, na rua Teodoro da Silva, bairro carioca de Vila Isabel. Sambista, cantor, compositor e um dos mais importantes artistas da música no Brasil. 
Solon Vieira da Silva nasceu em Pelotas. Cidade onde há mais de 50 anos compartilha seu talento como cantor, violonista e intérprete.
Imagem cedida por Moizés Vasconcellos
    No dia 4 de maio de 1937, Noel Rosa deixava este mundo aos 26 anos, por volta das dez horas da noite em plena Vila Isabel. Horário em que a quarta-feira (12) seus sambas renasceram através do canto de Solon Silva em uma celebração à vida e obra do chamado Poeta da Vila no João Gilberto Bar. O show deu origem a um CD embasado no repertório do artista que construiu suas canções primando pelo humor e pela veia crítica.
    O show rendeu uma matéria publicada pelo autor deste blog no jornal Diário Popular, abordando a influência musical de Noel na MPB através de pesquisa.

Imagem cedida por Camila Hein
    Em suas letras, Noel era um cronista do cotidiano.  Seu primeiro sucesso foi a música Com que roupa? Lançada no carnaval de 1937. Mas a vida de Noel também ganhou as telas do cinema, quando em 2006 o primeiro longa-metragem sobre o compositor foi lançado. Noel, poeta da Vila, foi baseado na biografia de Máximo e Didier e dirigido por Ricardo van Steen sendo disponibilizado no Youtube (assist ao lado). Teve sua estreia no Festival de Cinema do Rio de Janeiro em 2006 e na 30ª Mostra de Cinema de São Paulo. Entrou em circuito em agosto de 2007, ano que marcou os 70 anos da morte do poeta do samba.

    Além de Solon Silva, participam do CD e do show os músicos Beto Alfaiate (surdo), Felipe Saraiva (pandeiro) e o uruguaio Pablo Arrigonni (sax alto). O projeto do CD foi elaborado pelo Ponto de Cultura Outro Sul, cadastrado junto ao Ministério da Cultura, dentro do programa Cultura Viva. “Pela história da cidade, não tínhamos como não incluir o Solon no projeto do Ponto de Cultura”, afirma o produtor Edu Damatta. De acordo com ele, a realização do CD é uma forma de homenagear a memória viva da cidade em seus 200 anos.

    Mais informações podem ser obtidas através do Facebook.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O nome é Eduardo

Redundância polêmica

Sim, Eduardo. Um nome relativamente simples. Quatro vogais e três consoantes.
Desde o início da campanha dos prefeituráveis de Pelotas, em uma chamada veiculada em rádios e TVs, o candidato Eduardo Leite se apresenta diante da audiência apenas como Eduardo.
A frase é a seguinte: “Meu nome é Eduardo Leite, mas pode me chamar de Eduardo”.

Com o lançamento da campanha, muitos têm discutido qual a compreensão do público diante da redundância explícita. Seria uma falta de tato por parte de Dado? Um “tiro no pé” por parte do marqueteiro nos calçados de Edu? Uma tentativa fracassada de aproximação com o povo?
Dudu tentou se mostrar amigável, forçando uma cumplicidade com o eleitor. Como se chamar o candidato de “Eduardo” fosse muito mais amistoso do que chamar de Eduardo Leite. Não que não seja, mas a redundância incomoda.
A frase virou deboche, aguçando o apetite dos oposicionistas e eleitores em geral. Disseminada das redes sociais às mesas de boteco, a frase levou dúvida até mesmo aos aliados de Dudu.
Aquém da discussão e do cunho tratado como hilário por parte da população, obtemos na frase a essência de um processo de comunicação pura, passível de estudo por parte de profissionais da área. Estamos diante do grande viral da campanha 2012 pelo paço municipal.

Viral de campanha

De acordo com gráficos (veja ao lado) do projeto Monitor das Eleições de Pelotas/RS, realizado por professores e alunos dos cursos de Comunicação Social da UCPel  e Design Digital e Gráfico da UFPel, os números de citações e menções ao nome de Eduardo Leite cresceu nas últimas semanas.

Discurso travado

De acordo com uma fonte que não quis se identificar, os textos de Duda são criados pelo marqueteiro da campanha e pelo próprio. Uma rápida análise da forma mostra uma grande falha por parte dos coordenadores e uma falta de senso de expressão em linguagem televisiva e radial por parte do candidato. O uso de palavras de difícil assimilação, como “cacoete” e “essência governamental”, acabam tornando difícil o acesso ao discurso. Um clássico exemplo de falta de coordenadoria especializada em linguagem, semântica e semiótica. Esses textos mal elaborados poderiam ser um fator mais forte para a diminuição do número de votos. Mais até mesmo que sua – já famosa - frase de apresentação.
Termos pensados para serem usados em discursos escritos, tornam Eduardo um ser alheio à realidade da maior parte da população. Um homem letrado, com o qual grande parte dos eleitores não se identifica. O texto coloca-o do outro lado. Como um prolixo qualquer, mesmo que seu discurso tenha ou não fundamento.
Ao analisar o caso da frase, não importa se o objetivo original foi ou não cumprido. O nome é Eduardo. Falem “mal” de mim, mas falem de mim.